quarta-feira, 29 de abril de 2026

 FUI À PESCARIA COM O SGT. MANOEL RIBEIRO

O MOTORISTA O ‘GATO’ E UMA ONÇA-PINTADA

NO IGARAPÉ SÃO FRANCISCO EM RIO BRANCO.
Histórias acreanas não contadas (conto de pescador - boa leitura)
Gilberto A. saavedra
TRIBUTO a dois grandes amigos de minha família:
O Delegado Dr. Manoel Ribeiro (Sargento da Guarda do ex-Território Federal do Acre e,
ao funcionário público, Sebastião Gomes dos Santos, muito querido por todos, conhecidíssimo como (vulgo), ‘Gato’, por estar sempre de bom humor.
Foi aproximadamente, de 12 aos 13 anos de idade,
em Rio Branco, o tempo em que eu mais participei de pescarias em minha vida.
Minha predileção era o igarapé São Francisco.
Meu ponto fixo era bem próximo ao quartel do Exército
(antiga 4ª Cia de Fronteira); não me afastava muito
(não saia do local).
Tinha um pouco de medo, do que pudesse me acontecer.
Falavam vários boatos sobre o lugar: (disse me disse de boca em boca), sobre visagem (fantasma ou assombração), cobra grande ou mapinguari.
Às vezes, eu ia sozinho mesmo, sem autorização, às escondidas de minha mãe e também de meu pai.
Mas, na maioria das vezes, eu ia sempre acompanhado em conjunto com outros amigos, especialmente, quando era de espinhel, tarrafa no (rio Acre), ou à noitinha nas águas das olarias em busca de traíras.
Gostava de levar comigo para a minha alimentação, uma boa farofa de carne seca (jabá ou charque), aipim cozido (macaxeira), bananas e água.
Meu pai, não era de acordo com esse meu hobby e muitas vezes me proibia de pescar.
Ele era rígido em alguns pontos. Não permitia ler muitos gibis, jogar futebol e, por precaução de segurança, nem pescar.
Mas, às vezes, eu desobedecia a essas regras citadas.
Na maioria das minhas pescarias foi realizada quando ele (meu pai) estava fora de Rio Branco; ele convivia mais em Tarauacá, cuidando dos seus negócios particulares.
Eu sempre trazia pescados de minhas pescarias. Gostava de um Cará (Acará) na farofa ou um cozido de Mandi.
Impressionante, é que em minha rua, moravam os dois maiores pescadores do bairro: o Gato (funcionário público), gente boa, e, o seu parceiro de pescaria o Sargento Dr. Manoel Ribeiro (militar) da antiga Guarda do ex-Território do Acre.
Os dois sempre estavam juntos nas pescarias; uma dupla que ficou famosa nas redondezas, por trazer sempre no retorno das pescas muitos peixes.
A dupla de pescadores mantinha segredos sobre o local de suas façanhas no caniço.
Todos queriam saber o local de tantos pescados em abundância.
Eu me incluía (era um), entre os curiosos, doido para descobrir o lugar da piracema.
O Dr. Manoel Ribeiro, era um dos nossos vizinhos (ao lado da casa de minha família).
Era amigo da família desde o tempo de Tarauacá, e ex-colega de meu pai da primeira turma de estudantes de Direito da faculdade.
O Gato era conhecido dos meus pais e também residia perto de nossa casa, uns 100 metros de distância.
Meu maior desejo era um dia conseguir ir pescar com essa famosa dupla de pescaria.
Às vezes, sonhava pescando com eles. Porém, como realizar essa proeza, pois era apenas um menino.
Eu sabia que o meu pai, gostava muito de pescados; ele adorava esse tipo de alimentação: Pirarucu, Tambaqui, Pacu, Dourado, Piau, Mandi, Traíra e, também, àqueles peixes secos que eram vendidos no mercado Municipal e mercearias adjacentes.
(Diziam até que se comessem muitos deles, morriam de uma enfermidade incurável).
Num belo dia ele (o meu pai), chegou de Tarauacá de surpresa em casa, e encontrou na cozinha de casa uma bacia cheia de peixes e foi logo exclamando!
[Meu pai] – Que maravilha! Quantos peixes!...
[Minha mãe] – Foi o Gilberto que pescou!
[Meu pai] – Foi, hein?
[Minha mãe] – Foi! Mas não vai brigar com o menino, ok?
[Meu pai] – claro que não! Ele é um bom pescador! Hummm!!!
A partir dessa pescaria, meu pai não se importou mais, deixando de me proibir de pescar. Dissera que eu já estava bem grandinho.
Ele, tomando conhecimento do meu desejo, de querer um dia, pescar com essa dupla de pescarias famosas, meu pai, resolvera falar com o Dr. Manoel, solicitando ao amigo, que um dia me levasse, “era o meu desejo de acompanhá-lo numa pescaria”, disse o meu pai para ele.
Prontamente o Dr. Manoel Ribeiro atendeu ao pedido do amigo (meu pai), e marcou que, já na próxima pescaria eu iria com eles.
Eu fiquei feliz da vida e me preparei do jeito como eles iam (no vestuário) à pescaria.
No dia marcado, cedinho, antes do dia clarear, lá estava eu já pronto para partir: caniço (vara de pescar) na mão; uma bolsa de pano à tiracolo com uma lata cheia de farofa de carne seca (jabá), bananas, água e o samburá (o cesto de cipó) para colocar os pescados).
Ficamos aguardando o Gato aparecer.
Quando ele chegou foi logo perguntando!
[Gato] – O que o menino faz aqui tão cedo?
[Dr. Ribeiro] – Ele vai conosco!
[Gato] – Conosco?
[Dr. Ribeiro] – Sim, é filho do nosso amigo e vizinho o
Professor Levy Saavedra!
O Gato ficou com uma cara (de pouco amigo) de quem não gostou da ideia de levar um garoto para um lugar hostil, mas acatou (acabou concordando), com essa situação inusitada, de levar com eles, um moleque para suas cobiçadas pescarias.
Partimos para o igarapé São Francisco. Foi um estirão longo.
Depois de mais de duas horas de caminhada e igarapé adentro, finalmente, chegamos aos primeiros locais da famosa pescaria.
Eles sabiam de tudo em relação à pesca: a melhor hora de si pescar; uma boa isca e um bom ponto de fisgar mais peixes.
O lugar era inóspito; um local impróprio para um menino; muita lama (barranco escorregadio), mata cerrada e muitos mosquitos.
Mas fui bem protegido usando um vestuário igual ao da dupla: Camisa de mangas compridas, calça e chapéu de palha. Kkkkk!
A pescaria ia bem. Eu sempre ficava um pouco próximo de um dos dois. Almoçamos e tiramos uns minutos para o descanso.
Já, lá pela tardinha, depois de muitos deslocamentos (de vez em quando), em busca de pescados; uma trajetória de mais de um quilômetro, andando e sentando na beira do igarapé (eu já sentia cansaço, desânimo, dores pelo corpo e uma exaustão).
Finalmente, o momento do retorno, com um excelente resultado de pescados de mais uma boa pescaria, principalmente, de piaus e mandis, onde todos estavam satisfeitos.
Mas, antes da gente ir embora, do outro lado da margem do igarapé, surge o inesperado!
Um vulto grande começou a si mexer entre as folhagens, bem em frente à minha direção.
De repente, ‘meu Senhor’, sai de dentro das moitas (do mato), silenciosamente, uma baita de uma onça-pintada para beber água; o animal fica de frente para mim, mas não percebe a minha presença, pois estou no meio das folhagens.
Eu fiquei com tanto medo, que não mexia nem um olho; fiquei imóvel, mas em minhas mãos, o caniço, tremia mais do que vara verde.
A fera começou a si deslocar vagarosamente, descendo de barranco abaixo em direção ao igarapé para saciar sua sede.
O Dr. Ribeiro estava um pouco mais afastado, por isso não notou o momento da chegada do perigoso animal; o Gato bem mais próximo de mim, já tinha também percebido (como eu) à distância, o selvagem quadrúpede.
O animal começou a beber a água e eu me tremendo ainda mais.
De repente, ‘Seu menino’, o Gato (o homem pescador), no intuito de assustar (de surpresa) o animal, deu um tremendo grito (um berro), digo um miau ou um esturro como de um tigre!
A onça também se assusta! Salta de lado para o outro e também responde com o esturro grave, um ronco forte e assustador.
E numa velocidade incrível (assustada), escafedeu-se!
Eu, que estava em cima de pequenos e finos galhos próximo à água, com o medo que tomei ao ver o feroz animal, e logo em seguida os gritos do Gato e o forte esturro do bicho, me desequilibrei dos galhos e caí acidentalmente dentro do igarapé, no mesmo instante em que o animal fugia.
O Dr. Ribeiro ao notar eu caindo, correu em minha direção de arma em punho (tinha porte de arma, ele era militar), para me socorrer, pois nesse tronco do igarapé havia uma pequena correnteza de águas.
Porquanto, tudo sanado (já nadava desde os cinco (5 anos) de idade), tudo salvo!
Mas, eu, todo molhado, igual a um pinto calçudo. O importante é que não aconteceu nada de grave, graças ao grito de guerra do amigo Gato.
Porém, ele o Gato, após o episódio, caiu em gargalhadas.
Eu, e o Dr. Ribeiro também caímos em gargalhadas.
O Gato veio rindo (gozando de mim) até chegarmos a nossas casas.
Depois desde incidente inusitado, ele o (Gato) sempre que passava em frente de casa, exclamava!
[Gato] – Gilberto Saavedra! Amanhã tem pescaria novamente. Vamos?
(Eu)
– Fui?...Nunca mais! Jamais! Kkkkkkkk!
Depois dessa lição, me lembrei dos conselhos de meu pai.
(Gilberto A. Saavedra)

 

HOMENAGEM

AO PATRIARCA MANOEL FAÇANHA (GUARDA TERRITORIAL)

(Avô do Jornalista Manoel Façanha, cronista esportivo de nossa cidade futebolística)

(De Gilberto Saavedra)

Relato

Sou do tempo que, quando ainda menino,

já se falava do estimado Manoel Façanha,

‘Patriarca’ da família Façanha.


Ele era bastante conhecido e querido por todos.

Nessa época, nossa cidade ainda pequena,

tinha aproximadamente, uns 70 mil habitantes,

na qual, quase toda população se conhecia de vista.

Em meados de 1950/6/8, eu como coroinha de algumas missas

da Catedral de Nossa Senhora de Nazaré, notava sempre no ato litúrgico, o comparecimento do Senhor Façanha participando da missa matinal das 7 horas, aos domingos.

Às vezes, ao lado do meu pai que, também, não perdia uma cerimônia religiosa nesses horários domingueiros.

Manoel Façanha, atentamente, muito bem concentrado, ouvindo e olhando com seus belos olhos azuis e sua vasta cabeleira branca o sermão do pároco.

Toda classe eclesiástica tinha o maior carinho por ele.

Geralmente, nessa então época, as celebrações religiosas eram realizadas pelos padres: Thiago, já de idade avançada e Domingos – italiano muito jovem ainda, um homenzarrão.

O padre Domingos até 2016 (com mais de 90 anos ainda vivo, residindo na Itália).

O Sr. Manoel Façanha era uma pessoa amada pela sua família e amigos.

Muito inteligente e que prestou relevantes serviços ao Estado do Acre, na Guarda Territorial, deixando sua contribuição para o desenvolvimento do Acre.

Gostava de escrever poemas e declamar como poeta.

Alguns anos depois, um dos filhos do Senhor Façanha (não recordo o seu nome), que gostava de participar pela parte da tarde, de uma animada pelada de futebol, na qual eu também fazia parte;

O local era bem próximo de casa, num lugar chamado, campo do Seu Monteiro, perto das residências do Professor Jovino (em memória) e do Sr. Manoel Façanha.

Lembro-me de alguns nomes dos meninos do bairro que, gostavam de jogar futebol:

Kikito e Teó Souto; os dois irmãos eram bons de bolas. Teó faleceu no Rio de Janeiro num acidente de veículos, acho que na avenida Brasil muito tempo depois; foi várias vezes me visitar em casa.

O Sérgio (cantor e compositor) era ainda uma criança e o seu irmão Teó botava-o pra correr. Kkkk!

O Francisco (Kikito) reside no Espírito Santos.

Zé Maria (bom de bola), Tortinho, Bichano (a gente o chamava de ‘Pichano da Aidê), muito encrenqueiro e ruim de bola, mas a gente gostava dele, amigo do bairro.

Roberval Pereira (em memória), vascaíno doente, meu vizinho e amigo (faleceu em 2014 em Brasília) não jogava nada, mas era engraçado, gente fina; amigo do peito. Diariamente a gente se comunicava.

Euclides, (Wilson (meu irmão (vulgo Panelada) – em memória - faleceu em Manaus em 2020), Álvaro (Guru) do Aristarco, Ney da dona Lourdes, todos bons de bola); Lúcio, Dái e o seu primo Chico Pop, aliás, o Chiquinho era um barato; Chico Cuiú e o irmão Zé Palito sabiam jogar bem; o amigo Lua, mesmo pesado conseguia dominar a bola. Não posso esquecer do amigo Stélio Nobre, bom de bola também e que hoje, vive em Manaus, juntamente com à sua família.

Vanvão, Zeca e Piririca (irmãos), Agnaldo Dantas (vulgo Macaxeira), Otávio (boliviano), Caçote, Ubirajara, que tem uma irmã por nome de Nereida, Neguin, Malveira, Humberto, o Mário da professora Terezinha, Derei e Vute (ambos falecidos).

O filho da Cabocla (esqueci o nome) da família Birico e, eu, no ataque (com velocidade, domínio de bola e o drible) só não me tornei um jogador dos times do Acre, por obediência ao meu inesquecível pai. Kkkk!

Certo dia, os meninos foram surpreendidos no campinho com uma notícia muito triste:

O filho do Senhor Façanha que jogava futebol com a rapaziada do bairro, acabara de falecer.

era um rapaz bem forte - musculoso e saudável.

Embora, já adulto, (não lembro o nome dele (acho que, talvez João), mas recordo-me de sua fisionomia). Ele gostava de levantar o astral da turma das peladas.

Segundo informações desse tempo é que, ele suicidou-se por causa de uma jovem, sua namorada ou noiva.

O estimado Patriarca Façanha chorou muito com o falecimento do filho. O caso emocionou todo o bairro. O rapaz era muito querido pela rapaziada do futebol.

Mas, a vida continua, e o Patriarca Façanha sabia.

Anos depois, já refeito da tragédia, a vida familiar dos Façanhas retornava ao normal.

Certo dia, na antiga praça do Bar Municipal,

lá em baixo, nas proximidades de uma banca de Tacacá

(da mãe do Bate-Banha, então Cabo do Exército Brasileiro,

num bando da praça, lá estavam o meu pai, Professor Levy Saavedra e o Senhor Manoel Façanha,

Os dois sentadinhos, rindo, felizes que, pela prosa narrada, o assunto deveria ser “Fantástico”.

Nosso memorável soldado Façanha era avô do admirável Jornalista Manoel Façanha, cronista esportivo de nossa cidade futebolística.

Nosso tributo ao abnegado servidor público

o Patriarca MANOEL FAÇANHA.

(Jornalista e Radialista - Gilberto A. Saavedra)

 


O BARCO JABUTI DO RIO ACRE.
LENTO OU VELOZ?
(usei muito esse transporte público)
Gilberto A. Saavedra – jornalista. O contador de histórias acreanas não contadas.
Nesse tempo passado, eu tinha um irmão
que morava no primeiro lado da cidade de Rio Branco,
mas trabalhava no segundo, que ficava do outro lado do rio Acre.
Ele se chamava Moacir, aliás, eu tinha dois irmãos com esse mesmo nome. Incrível, né?





 Esse primeiro, que trabalhava no segundo lado da cidade
era mecânico (de mão cheia) de embarcação, era o mais velho; o outro Moacir era funcionário do Banco do Brasil. Os dois infelizmente faleceram.
Certa vez ele (o primeiro citado), me levou para o trabalho dele, uma firma de funilaria (técnica em trabalho em lata ou em folha de flandres). Eu gostei; de vez em quando eu comparecia.
Lá eu ficava olhando como eles soldavam porongas.
Poronga para os que não sabem é uma luminária (lamparina) que o seringueiro coloca na cabeça para enxergar à noite, durante o percurso das estradas do seringal.
Seu combustível mais frequente é o querosene ou o óleo. Coisa de nossa terra ‘Amazônia’.
Nessa época, eu era pré-adolescente. Já gostava de trabalhar, de fazer qualquer coisa.
Dinheiro que é bom eu nunca ganhei. Kkkk! Acho que escolhi a profissão errada para fazer fortuna.
O BARCO JABUTI - MEIO DE TRANSPORTE GRATUITO

O nosso deslocamento para o trabalho do outro lado da cidade era através de catraias. Mas, o meu irmão Moacir, passou a usar um serviço paralelo gratuito, que era bancado pelo governo.
O barco, era do mesmo modelo das catraias, porém, bem maior.
Infelizmente, era usado um só barco durante todo o dia.
Consequentemente, a espera no ponto de embarque do barco para atravessar o rio se tornava demorada, além do mais, o barco por ser maior, pesava mais e com isso ficava mais lento na travessia das águas do rio Acre.
Com todos esses ingredientes negativos, muitas pessoas evitavam-no de usar, principalmente, no período das enchentes (alagados) que tinha fortíssimas e perigosas correntezas e estávamos vivendo esse período.
Por causa de todos esses atributos ao barco, a população denominou-o com o nome de: “JABUTI”. Preguiçoso e vagaroso, igualzinho a uma ‘jabota ovada’.
Mas era pontual. Partia no horário determinado com passageiro ou sem ele.
Tinha o mesmo sistema das catraias, um condutor e os dois remos.
Na hora de zarpar, tinha que subir o rio alagado (remar contra correntezas fortes), deslocando-se até uma determinada distância, para só depois, de rio abaixo, fazer a perigosa travessia.
Se não fizesse esse procedimento (devido ao seu peso), não conseguiria ancorar no ponto de desembarque do outro lado e vice-versa.
E o grande Jabuti zarpou. Inicialmente seu movimento era feito perto da beira (margem) do rio por serem as forças das águas mais fracas.
O condutor passou a remar e o cascudo barco “O Jabuti”, lentamente começava os seus primeiros movimentos n’água.
Tão devagarzinho devido ao seu tamanho e peso, além dos passageiros, que parecia (nos dava essa impressão) que o barco ainda estava parado no mesmo lugar.
Mas estava se deslocando. – Ah, mais estava! Aos passos de jabuti, com aquela “calminha”.
O condutor, porém, com os braços e as mãos usava todas suas forças nos dois remos. E o Jabuti lentamente ia subindo o rio, travando uma luta danada contra as fortes correntezas, como se elas dissessem: “Eu não vou deixar você subir”.
De repente: fixei o meu olhar no condutor do cascudo e notei que ele, era um homem já de meia idade, bem franzino.
Também percebi em seu olhar, um olhar distante (no horizonte) parecia nos ignorar (os passageiros).
O que ele estaria a pensar naquele momento tão inoportuno. Gostaria imensamente de saber.
Nisso o Jabuti ainda continuava subindo pelas margens do rio de águas barrentas bem calmamente, quase parando.
Mas o manobreiro usava todas suas forças para vencer as traiçoeiras correntezas.
Finalmente, o lento barco consegue chegar ao limite do ponto imaginário de subida, para só então, o condutor manobrar o barco para a travessia.
Numa fração de segundos, aquele homenzinho franzino, de braços finos, num movimento rápido e bem profissional (de quem entende muito da coisa) começa a descer com o barco de rio abaixo. Agora ele tem ao seu lado o apoio (ajuda) das fortíssimas correntezas.
Vai remando com mais força física ainda para o meio do rio e manobrando a embarcação para outro lado da margem;
O barco toma a posição diagonal às águas; as batidas e o chacoalhar no lado do casco fazem o barco balançar;
Rapidamente, o Jabuti ganha um rápido desenvolvimento na travessia; a velocidade adquirida é ainda maior.
Como aquele cascudo tão lento e paciente, subitamente consegue atingir tamanha rapidez.
Ficava eu a pensar: como aquele pequeno e magro homem, alcançava essa incrível proeza.
Tinha receio, de que ele não pudesse ter força suficiente, para vencer as forças das águas do rio alagado, e não conseguir ancorar do outro lado do rio, no lugar certinho de desembarque, no ponto do Jabuti no 2° Distrito de Rio Branco.
Missão cumprida. Todos sãos e salvos! Já em terra firme (fora do barco) eu e meu irmão Moacir, aliviados do susto que passamos. Ufa!
Olhei para trás, e vi o grande barco Jabuti (inerte) e o seu franzino condutor (ambos aptos) para a próxima partida lenta ou veloz, “Se Deus Quiser”.
(Gilberto A. Saavedra) - ano 2015
Contador de histórias acreanas.





segunda-feira, 27 de abril de 2026

 

OH, MEU DEUS!

QUE COISA LINDA QUE O SENHOR FEZ!

(De Gilberto A. Saavedra – Ano, 2016)

 

 

OH, MEU DEUS!


QUE COISA LINDA QUE O SENHOR FEZ!

 

 

OH, MEU DEUS!

QUE COISA LINDA QUE O SENHOR FEZ!

 

 

É O CÉU, É A TERRA E O MAR

E O SENHOR ESTAVA LÁ!

 

 

É O SOL, SÃO AS ESTRELAS E O UNIVERSO

E A BELEZA DOS VERSOS.

 

 

AS ESTRELAS CONTINUAM

EM NOS SURPREENDER

ESTRANHAMENTE NASCEM

EVOLUEM E MORREM


SEM EXPLICAÇÕES.

 

 

E POR ESSAS E OUTRAS RAZÕES

É MELHOR NÃO ENTENDER

NESSE MUNDO DESCONHECIDO

ONDE TUDO PODE OCORRER

 

 

ATÉ O SENTIDO DA VIDA, SÓ DEUS É SABEDOR

DA ACEPÇÃO E A RAZÃO

O HOMEM NÃO CONSEGUIU DECIFRAR

 

A GRANDIOSIDADE DA OBRA

QUE O ‘DIVINO’ CRIOU.

 

 

SÓ DEUS É SABEDOR


DA SUA OBRA PRIMA

O IMENSO UNIVERSO

SEM INÍCIO E SEM FIM

 

 

NÃO SABEMOS PORQUE, INFINITO

SE NÃO PODEMOS EXPLORÁ-LO

UM ‘ESTRANHO MUNDO’

SEM CRIATURA PARA HABITAR;

 

 

POIS NÓS HUMANOS

JAMAIS CHEGAREM LÁ!

 

 

A CRIAÇÃO E O MISTÉRIOS DO UNIVERSO

SÓ DEUS É CONHECEDOR

  FUI À PESCARIA COM O SGT. MANOEL RIBEIRO O MOTORISTA O ‘GATO’ E UMA ONÇA-PINTADA NO IGARAPÉ SÃO FRANCISCO EM RIO BRANCO. Histórias acreana...