segunda-feira, 16 de março de 2026

 ROSALINA, MEU BEM-QUERER. (Gilberto A. Saavedra)

Esta é a história de um bárbaro crime, que aconteceu em Rio Branco, capital do Acre, em meados da década de 40 (1943), o assassinato da Professora Rosalina Sousa da Silveira.

A cidade ainda era bem pequena e pacata nessa época, e esse trágico acontecimento chocou toda a sociedade rio-branquense.
A professora Rosalina, como de costume, saia de casa pela manhã durante a semana, para ministrar aulas num antigo grupo escolar.
Era uma moça muito educada de apenas 20 anos de idade, que desfrutava de um sorriso encantador, contagiante, o qual por sua alegria tinha o poder de provocar reações idênticas em outras pessoas, ganhando simpatia de todos os transeuntes.
Morava bem pertinho de um presídio no centro da cidade, no qual os presidiários pela manhã tomavam um banho de sol, diariamente.
O muro do presídio não era de tijolos, apenas uma cerca de arames. Por esse motivo os presos podiam ver o movimento das pessoas lá fora.
Entre os detentos, um de nome Lázaro, se apaixonou pela professorinha Rosalina - e todos os dias, naquele mesmo horário de banho de sol, ele estava lá para ver o seu amor passar.
Lázaro já não aguentando mais essa paixão desenfreada, conta a um amigo que sempre o visitava esse seu amor pela professora.
Pede ao amigo, que era um jornalista de nome Praxedes, para que escrevesse uma carta à professora, pois ele era analfabeto.
O jornalista se segurou um pouco, mas acabou cedendo o pedido de Lázaro. Fez várias cartas destinadas a ela, porém não entregava e, ao mesmo tempo, escrevia outras e lia para o preso, como se fosse a Rosalina que estava respondendo.
Passado um tempo, Rosalina arranja um namorado, um piloto de aviação, que lhe propôs o pedido de casamento.
Quando o jornalista tomou conhecimento da notícia, que Rosalina ia se casar, se desesperou e tratou logo de escrever mais uma falsa carta ao Lázaro;
Na missiva, Rosalina explicava ao preso, que tinha surgido um novo amor em sua vida e que essa era a última carta para ele. Tudo tinha terminado.
Lázaro ficou transtornado, cheio de ódio; disse que não poderia viver sem ela. Por causa desse motivo iria acabar com a vida dela.
Pouquíssimo tempo depois os presos foram aparar o capim da via pública, na dita rua onde morava a Rosalina.
Entre os presos estava o Lázaro, ainda rancoroso. Naquele exato momento Rosalina saia de casa com destino ao trabalho. Ao vê-la, partiu em sua direção com o afiado terçado na mão. Rosalina notou aquele homem vindo muito rápido em sua direção. Quando ele se aproximou, ela quis dizer algo, mas não conseguiu.
Lázaro levantou o braço com o terçado e violentamente o cravou bem no coração da professorinha que caiu ao chão já completamente morta.
A história é verídica; foi publicada na imprensa local.
Quanto ao destino do presidiário Lázaro e do jornalista Praxedes, há muitas versões que foram amplamente divulgadas e outras que ficaram perdidas na memória da sociedade.
Que o Jornalista Praxedes deixou o estado;
Que o presidiário se matou logo após o crime, ou
que cumpriu a condenação e foi embora do Acre. Ele era autor também de outro crime e por isso estava cumprindo pena no presídio;
Que a família da professora, também tenha deixado o estado acreano.
(Publicado por Gilberto A. Saavedra) _

quinta-feira, 5 de março de 2026

      Um conto acreano (de Gilberto A. Saavedra)

TERMINOU A GUERRA!
TERMINOU A GUERRA!
1945.
O Lloyd Brasileiro navegava tranquilamente, pela costa marítima do Brasil, entre o Maranhão e o Piauí, em sua rota comercial, Manaus - Rio de Janeiro.
Era escoltado por motivo de (segurança) por duas fragatas da Marinha do Brasil, por causa da Segunda Grande Guerra Mundial.
Subitamente, uma buzina marítima de um dos dois navios de guerra da Marinha Brasileira começou a apitar e apitar!
O alto falante de uma das duas fragatas anunciava o fim do conflito mundial aos passageiros do Lloyd Brasileiro:
“A GUERRA TERMINOU, A GUERRA ACABOU!
O JAPÃO SE RENDEU!


VIVA A PAZ MUNDIAL!
VIVA O BRASIL
O cenário era a costa marítima brasileira entre o Maranhão e o Piauí, numa tarde de 2 de Setembro de 1945.
Ali naquele mar do Oceano Atlântico o Lloyd Brasileiro (conhecido como Loide) navegava com seus milhares de passageiros a bordo do navio.
O que se viu foi uma correria geral de passageiros ao convés,
acenando aos marinheiros das duas fragatas, alegremente, gritando: “viva a paz mundial, viva o Brasil!”
Naquela feliz tarde e noite adentro no Lloyd, a festança não teve hora para finalizar.
Naquele tempo de incerteza, muito parecido com o atual, com a guerra da Ucrânia, as pessoas se deslocam por vários motivos.
A bordo do Lloyd um casal de acreano não por nascimento, mas de coração, de amor pela terrinha.
Vinha do longínquo e querido Acre.
O distinto casal era proprietário de imensas áreas de terras no Jordão (hoje uma cidade - município acreano), além das que circundavam em sua volta formando o seringal Duas Nações.
Os (cônjuges; o marido: o Seringalista e Professor, Dr. Levy Cervantes Saavedra, em memória (1900/1977) e esposa Rita Saavedra, em memória, Funcionária da União (1928/2004).
Apanharam uma Chatinha em Tarauacá até Manaus. De lá até o Piauí foi através de um bom navio mercante brasileiro.
Acompanha o casal uma filha - uma criança de três anos Francisca Saavedra (em memória – 1942/2004), que na Idade adulta se formou em Enfermeira Sanitarista, em Manaus, Amazonas.
Essa inesquecível senhora era minha saudosa mãe.
Minha querida mãe, não tinha um bom estudo, mas tinha um coração para todos.
Foi funcionária da União e trabalhou muito tempo na portaria do hospital de Clínicas, em Rio Branco.
Quem é desse tempo no hospital e, mais jovem, deve se lembrar dela.
Na viagem (durante o conflito mundial), ela estava indo a passeio ao Piauí, sua terra natal, Batalha, Município, onde Levy Saavedra, tinha exercido o cargo de Prefeito Municipal.
Estava grávida de seis meses.
Estava esperando uma linda criança, que veio nascer no retorno ao Acre, no início de Dezembro, após guerra.
Essa criança sou eu, Gilberto A. Saavedra.


sábado, 14 de fevereiro de 2026

 

ESTÊVÃO BIMBI E O MUNDO CÃO

O DIA EM QUE O GRANDE RADIALISTA E JORNALISTA

CHEGOU À DIFUSORA ACREANA.

Por Gilberto Saavedra - jornalista e radialista

 


Segundo ele, fui o primeiro radialista que ele conheceu no Acre.

O fato aconteceu na Rádio Difusora Acreana no finalzinho dos anos 60, da seguinte maneira:

 

Eu era o locutor do horário. Nos intervalos de anúncios comerciais, saia dos estúdios para me movimentar um pouco.

Num desses espaços de folga fui à frente da emissora e, ali, se deu esse encontro inédito com o grande Estêvão Bimbi, “A fera do rádio acreano”.

 

Era a primeira vez que eu estava vendo o Bimbi.

Um homenzarrão de cor branca, cabelos loiros e olhos azuis.

Ele, então, veio ao meu encontro - subindo os degraus da escada da emissora, carregando numa das mãos uma pasta (contendo documentos).

 

Cumprimentamo-nos, se apresentou e disse que gostaria de marcar uma audiência com o Diretor-Geral da emissora.

 

José Lopes o diretor, naquele momento não se encontrava no recinto da rádio.

Solicitei ao visitante, que entrasse e aguardasse o diretor na sala de espera.

Eu ia aos estúdios dava sequência ao programa e retornava.

 

Fiquei conversando um pouco com ele. A conversa ficou interessante, então, o levei para os estúdios.

 

Falou de sua carreira no Rio de Janeiro (por sinal brilhante) e de sua vinda para o Acre.

 

Eu como Chefe do setor de Programação da rádio oficial do governo, vi no jornalista, uma grande oportunidade de a Difusora ter em seu quadro um competente radialista.

 

O diretor José Lopes não perdeu a oportunidade e contratou-o.

 

No Rio trabalhou na década de 60 na rádio Mayrink Veiga, emissora de grande sucesso carioca e que foi fechada durante o governo militar.

 

Bimbi, então tocou sua carreira para o interior do país, passando por várias emissoras - chegando ao Acre para nossa alegria no rádio acreano.

 

Estevão Bimbi (natural do Estado de São Paulo) que já era profissional transformou-se no grande do rádio no Acre.

 


Acredito que o Bimbi tenha sido nesse meu primeiro período de Difusora, um dos primeiros radialistas de fora do Estado do Acre, a ocupar o microfone da mais antiga.

 

Mais tarde Paulo Farias (amazonense) e Marte Rocha (baiano).

 

Não preciso falar mais nada sobre o grande e inesquecível Radialista Estêvão Bimbi.

 

Todos os conheceram e sabiam de sua capacidade e esforços, para mostrar aos ouvintes um rádio combativo em prol da justiça e da igualdade.

 

A última vez que o vi pessoalmente foi em 1995 - nos estúdios da rádio Alvorada, numa minha rápida visita ao Acre. Entrevistou-me e si emocionou.

 

Entre outros programas de êxito no rádio do Acre, seu maior sucesso foi o inesquecível programa que muitos tinham temor, “O MUNDO CÃO”, lembrado por muitos até hoje.

 

Um programa de grande audiência e que fez escola no rádio acreano.

 

Trabalhamos juntos na Difusora ainda um bom tempo. Excelente jornalista. Um ótimo colega de profissão. Infelizmente nos deixou muito cedo. Gostava muito dele.

 

Como Chefe de programação dessa época, eu não posso deixar de relatar nesse período do Bimbi, sua grande contribuição e esforço à equipe da Rádio Difusora Acreana que, cumpriu para barrar a grande audiência na capital da rádio Novo Andirá.

 

Não tinha como vencer os dois memoráveis radialistas - Altemir Passos e o galã das mocinhas – José Simplício na Novo Andirá.

 

Foi preciso jogar no ar com transmissão da Difusora Acreana, a grande radionovela “O Egípcio” de Ivani Ribeiro, para combater e assumir a liderança de audiência em Rio Branco.

 

Ainda não havia TV no Acre (chegou em 1974) e, não posso esquecer, os amigos da então “Era de Ouro do rádio acreano”, que trabalharam com afinco por um rádio melhor e mais moderno.

 

Somente, saudade e saudade desse período maravilhoso.

 

Radialistas e (Jornalistas de 1965/73):

Natal de Brito, Cícero Moreira, Mota de Oliveira, Altemir Passos, Rivaldo Guimarães, José S. Lopes, Etevaldo Gouveia, Anselmo Sobrinho, Theodomiro Souto (Teó), Chico Pop, João Morais Filho, Gilberto Saavedra, Zezinho Melo, Jorge Cardoso, José Valentim Santos, Compadre Lico;

 

Agnaldo Martins, Agnaldo Guilherme, Lino Braga, Adalberto Dourado, Edson Soares, Raimundo Nonato (Pepino), Nivaldo Paiva, Sérgio Quintanilha, Hugo Conde, Rita Batista, Estêvão Bimbi, Nilda Dantas;

 

 William Modesto Delmiro Xavier, Francisco Pinto, Francisco Cunha, Mauro D’Avila Modesto, Carlos José A. Esteves (na Assessoria do palácio), Joaquim Ferreira, Alício Santos, Luis Rodomilson, Marinete Távora Wonlind, Eduardo Mansour, Dom Giocondo Grotti, Míriam Fontenele e Gerardo Madeira.

 

Sei que alguns nomes de profissionais que integraram a ZYD-9 nesse tempo, estão ausentes nesta lista. Que me perdoem pelo grave lapso. Não consegui recordá-los.

 

Os sonoplastas: Cesar Hildo, Adriano Cesar, Luis Miquelino (Jacaré) Paulo Mota, João Petrolitano, Carlos Alberto, Dolores Silva (primeira sonoplasta do sexo feminino) Discotecária: Terezinha Batalha e o irmão do Zezinho Melo e João Nascimento, técnico eletrônico.

 

Funcionários: Oto Viana, Marçal, Sombra, Sebastião Araújo, Orlando Mota, Antônio Mota, Tereza Oliveira, Dona Lila, Ilma e Graça Oliveira. Não poderia esquecer a figura simpática e querida do nosso pitoresco “Cornélio de Freitas”.

 

Homenagens aos pioneiros: Índio do Brasil, Alfredo Mubarac, Garibaldi Brasil, Licênio de Azevedo Maia Sérgio Brasil, Maria Júlia Soares, Diomedes Andrade, Orsetti Gomes do Vale e Vilma Nolasco.

 

Os radialistas da emissora dos Dantas nesse período eram: José Simplício, J. Almeida, Juvenal, Elizeu Andrade, Ermari, Ulisses Modesto, e J. Conde (Criatura de Deus).

 

João Lopes, Nilda Dantas, Campos Pereira e equipe de esporte: J. Xavantes, Raimundo Fernandes, Olavo (Papagaio) Chico Pontes, Valdemir Canizo e João Braña;

 

 Altemir Passos, Vilma Nolasco e outros locutores da Difusora que também deram suas contribuições. Aldazemir Neves (sonoplasta).

 

Por Gilberto A. Saavedra – Jornalista e Radialista

 

segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

 

HONRAS:

DO ABNEGADO SERINGUEIRO

À RADIO DIFUSORA ACREANA E AOS CORREIOS (Carteiro).

 

Gilberto A. Saavedra Locutor do programa “Correspondente Difusora" nos períodos de 1966 até 1973.

 

RÁDIO DIFUSORA ACREANA – ZYD-9


Nas primeiras horas da aurora Amazônica

o belo Hino Acreano;

Entoa nas frequências hertzianas do seu rádio,

irradiando no vácuo uma melodia,

que revela, além da exuberante paragem

o destemor e a índole dessa gente viril.

 

Nesse instante, “A Voz das Selvas”

num átimo mágico, um brado vibrante,

ecoa por toda à planície amazônica.

 

O Locutor padrão da ZYD-9

Abre os trabalhos do rádio acreano.

 

Enquanto isso

O incansável e solitário carteiro

dos nossos gloriosos Correios;

Em suas andanças pelos rios da Amazônia,


de canoa ou no batelão,

mas carregado de informações e emoções.

 

Despachando pacotes, encomendas, cartas e telegramas

e presentes em joias da Hermes S.A.

 

Brincos, anéis e pulseiras,

folheados a ouro ou prata.

Relógios, óculos tipo Ray-Ban.

Fazenda (tecidos), telegramas e cartas de amor

dos apaixonados casais de namorados,

noivos ou casados.

 

Mas o Seringueiro, isolado do mundo

tem pressa em saber de tudo.

O Ribeirinho e, seus familiares, reunidos

em seus casebres (choupanas de palhas)

em volta do rádio (ao pé do receptor),

aguardam ansiosamente “as mensagens para você”.

 

Notícias boas, alvissareira, agradáveis ou péssimas

transmitidas pelo locutor:

 

MENSAGENS

Atenção Senhor Severino na colônia Ganso de Ouro!

SEU SOBRINHO JOSÉ AVISA-LHE QUE AO PULAR DO CAMINHÃO NO QUAL VEIO DE CARONA QUEBROU TODOS OS OVOS, POR ISSO ESTÁ IMPOSSIBILITADO DE LHE ENVIAR O SEU NUMERÁRIO.

ABRAÇOS DO MESMO.

 

Atenção Senhor Mané da Isaura

No seringal Linha Velha – colocação Fim da Linha!

SUA ESPOSA AVISA-LHE QUE AO CHEGAR À CIDADE, JUNTAMENTE COM SUA FILHA MARIA, ELA ENCONTROU UM SENHOR MUITO RICO QUE TEIMOU EM QUERER COMPRAR O PIRIQUITO DELA.

 

COMO ELE PAGAVA MUITO BEM, ELA VENDEU.

COM O DINHEIRO ELA COMPROU MUITAS ROUPAS E PEÇAS DE BAIXO.

O MEU PIRIQUITO COMO É UM POUCO MAIS VELHO, NINGUÉM QUIS COMPRAR.

ABRAÇOS DE SUA ESPOSA ALZIRA.

 

Gratidão do abnegado Seringueiro, Ribeirinho e Sertanejo

À Voz das Selvas e aos Correios,

através dos incansáveis funcionários celetistas

na figura dos antigos carteiros

pelos relevantes serviços prestados

ao homem do campo e povos da Amazônia em geral.

(Gilberto A. Saavedra Radialista e jornalista)

 

 

  ROSALINA, MEU BEM-QUERER. (Gilberto A. Saavedra) Esta é a história de um bárbaro crime, que aconteceu em Rio Branco, capital do Acre, em ...