ROSALINA, MEU BEM-QUERER. (Gilberto A. Saavedra)
MEMORÁVEIS ACREANOS
segunda-feira, 16 de março de 2026
quinta-feira, 5 de março de 2026
Um conto acreano (de Gilberto A. Saavedra)
sábado, 14 de fevereiro de 2026
ESTÊVÃO BIMBI E O MUNDO CÃO
O DIA EM QUE O GRANDE RADIALISTA E
JORNALISTA
CHEGOU À DIFUSORA ACREANA.
Por Gilberto Saavedra - jornalista e radialista
Segundo ele, fui o primeiro radialista que ele
conheceu no Acre.
O fato aconteceu na Rádio Difusora Acreana no
finalzinho dos anos 60, da seguinte maneira:
Eu era o locutor do horário. Nos intervalos de
anúncios comerciais, saia dos estúdios para me movimentar um pouco.
Num desses espaços de folga fui à frente da
emissora e, ali, se deu esse encontro inédito com o grande Estêvão Bimbi, “A
fera do rádio acreano”.
Era a primeira vez que eu estava vendo o Bimbi.
Um homenzarrão de cor branca, cabelos loiros e
olhos azuis.
Ele, então, veio ao meu encontro - subindo os
degraus da escada da emissora, carregando numa das mãos uma pasta (contendo
documentos).
Cumprimentamo-nos, se apresentou e disse que
gostaria de marcar uma audiência com o Diretor-Geral da emissora.
José Lopes o diretor, naquele momento não se
encontrava no recinto da rádio.
Solicitei ao visitante, que entrasse e aguardasse o
diretor na sala de espera.
Eu ia aos estúdios dava sequência ao programa e
retornava.
Fiquei conversando um pouco com ele. A conversa ficou
interessante, então, o levei para os estúdios.
Falou de sua carreira no Rio de Janeiro (por sinal
brilhante) e de sua vinda para o Acre.
Eu como Chefe do setor de Programação da rádio
oficial do governo, vi no jornalista, uma grande oportunidade de a Difusora ter
em seu quadro um competente radialista.
O diretor José Lopes não perdeu a oportunidade e
contratou-o.
No Rio trabalhou na década de 60 na rádio Mayrink
Veiga, emissora de grande sucesso carioca e que foi fechada durante o governo
militar.
Bimbi, então tocou sua carreira para o interior do
país, passando por várias emissoras - chegando ao Acre para nossa alegria no
rádio acreano.
Estevão Bimbi (natural do Estado de São Paulo) que
já era profissional transformou-se no grande do rádio no Acre.
Acredito que o Bimbi tenha sido nesse meu primeiro
período de Difusora, um dos primeiros radialistas de fora do Estado do Acre, a
ocupar o microfone da mais antiga.
Mais tarde Paulo Farias (amazonense) e Marte Rocha
(baiano).
Não preciso falar mais nada sobre o grande e
inesquecível Radialista Estêvão Bimbi.
Todos os conheceram e sabiam de sua capacidade e
esforços, para mostrar aos ouvintes um rádio combativo em prol da justiça e da
igualdade.
A última vez que o vi pessoalmente foi em 1995 -
nos estúdios da rádio Alvorada, numa minha rápida visita ao Acre.
Entrevistou-me e si emocionou.
Entre outros programas de êxito no rádio do Acre,
seu maior sucesso foi o inesquecível programa que muitos tinham temor, “O MUNDO
CÃO”, lembrado por muitos até hoje.
Um programa de grande audiência e que fez escola no
rádio acreano.
Trabalhamos juntos na Difusora ainda um bom tempo.
Excelente jornalista. Um ótimo colega de profissão. Infelizmente nos deixou
muito cedo. Gostava muito dele.
Como Chefe de programação dessa época, eu não posso
deixar de relatar nesse período do Bimbi, sua grande contribuição e esforço à
equipe da Rádio Difusora Acreana que, cumpriu para barrar a grande audiência na
capital da rádio Novo Andirá.
Não tinha como vencer os dois memoráveis
radialistas - Altemir Passos e o galã das mocinhas – José Simplício na Novo
Andirá.
Foi preciso jogar no ar com transmissão da Difusora
Acreana, a grande radionovela “O Egípcio” de Ivani Ribeiro, para combater e
assumir a liderança de audiência em Rio Branco.
Ainda não havia TV no Acre (chegou em 1974) e, não
posso esquecer, os amigos da então “Era de Ouro do rádio acreano”, que
trabalharam com afinco por um rádio melhor e mais moderno.
Somente, saudade e saudade desse período
maravilhoso.
Radialistas e (Jornalistas de 1965/73):
Natal de Brito, Cícero Moreira, Mota de Oliveira,
Altemir Passos, Rivaldo Guimarães, José S. Lopes, Etevaldo Gouveia, Anselmo
Sobrinho, Theodomiro Souto (Teó), Chico Pop, João Morais Filho, Gilberto
Saavedra, Zezinho Melo, Jorge Cardoso, José Valentim Santos, Compadre Lico;
Agnaldo Martins, Agnaldo Guilherme, Lino Braga,
Adalberto Dourado, Edson Soares, Raimundo Nonato (Pepino), Nivaldo Paiva,
Sérgio Quintanilha, Hugo Conde, Rita Batista, Estêvão Bimbi, Nilda Dantas;
William
Modesto Delmiro Xavier, Francisco Pinto, Francisco Cunha, Mauro D’Avila
Modesto, Carlos José A. Esteves (na Assessoria do palácio), Joaquim Ferreira,
Alício Santos, Luis Rodomilson, Marinete Távora Wonlind, Eduardo Mansour, Dom
Giocondo Grotti, Míriam Fontenele e Gerardo Madeira.
Sei que alguns nomes de profissionais que
integraram a ZYD-9 nesse tempo, estão ausentes nesta lista. Que me perdoem pelo
grave lapso. Não consegui recordá-los.
Os sonoplastas: Cesar Hildo, Adriano Cesar, Luis
Miquelino (Jacaré) Paulo Mota, João Petrolitano, Carlos Alberto, Dolores Silva
(primeira sonoplasta do sexo feminino) Discotecária: Terezinha Batalha e o
irmão do Zezinho Melo e João Nascimento, técnico eletrônico.
Funcionários: Oto Viana, Marçal, Sombra, Sebastião
Araújo, Orlando Mota, Antônio Mota, Tereza Oliveira, Dona Lila, Ilma e Graça
Oliveira. Não poderia esquecer a figura simpática e querida do nosso pitoresco
“Cornélio de Freitas”.
Homenagens aos pioneiros: Índio do Brasil, Alfredo
Mubarac, Garibaldi Brasil, Licênio de Azevedo Maia Sérgio Brasil, Maria Júlia
Soares, Diomedes Andrade, Orsetti Gomes do Vale e Vilma Nolasco.
Os radialistas da emissora dos Dantas nesse período
eram: José Simplício, J. Almeida, Juvenal, Elizeu Andrade, Ermari, Ulisses
Modesto, e J. Conde (Criatura de Deus).
João Lopes, Nilda Dantas, Campos Pereira e equipe
de esporte: J. Xavantes, Raimundo Fernandes, Olavo (Papagaio) Chico Pontes, Valdemir
Canizo e João Braña;
Altemir
Passos, Vilma Nolasco e outros locutores da Difusora que também deram suas
contribuições. Aldazemir Neves (sonoplasta).
Por Gilberto A. Saavedra – Jornalista e Radialista
segunda-feira, 19 de janeiro de 2026
HONRAS:
DO ABNEGADO SERINGUEIRO
À RADIO DIFUSORA ACREANA E AOS CORREIOS (Carteiro).
Gilberto A. Saavedra Locutor do programa “Correspondente Difusora" nos
períodos de 1966 até 1973.
RÁDIO DIFUSORA ACREANA – ZYD-9
Nas primeiras horas da aurora Amazônica
o belo Hino Acreano;
Entoa nas frequências hertzianas do seu rádio,
irradiando no vácuo uma melodia,
que revela, além da exuberante paragem
o destemor e a índole dessa gente viril.
Nesse instante, “A Voz das Selvas”
num átimo mágico, um brado vibrante,
ecoa por toda à planície amazônica.
O Locutor padrão da ZYD-9
Abre os trabalhos do rádio acreano.
Enquanto isso
O incansável e solitário carteiro
dos nossos gloriosos Correios;
Em suas andanças pelos rios da Amazônia,
de canoa ou no batelão,
mas carregado de informações e emoções.
Despachando pacotes, encomendas, cartas e telegramas
e presentes em joias da Hermes S.A.
Brincos, anéis e pulseiras,
folheados a ouro ou prata.
Relógios, óculos tipo Ray-Ban.
Fazenda (tecidos), telegramas e cartas de amor
dos apaixonados casais de namorados,
noivos ou casados.
Mas o Seringueiro, isolado do mundo
tem pressa em saber de tudo.
O Ribeirinho e, seus familiares, reunidos
em seus casebres (choupanas de palhas)
em volta do rádio (ao pé do receptor),
aguardam ansiosamente “as mensagens para você”.
Notícias boas, alvissareira, agradáveis ou péssimas
transmitidas pelo locutor:
Atenção Senhor Severino na colônia Ganso de Ouro!
SEU SOBRINHO JOSÉ AVISA-LHE QUE AO PULAR DO CAMINHÃO NO QUAL VEIO DE
CARONA QUEBROU TODOS OS OVOS, POR ISSO ESTÁ IMPOSSIBILITADO DE LHE ENVIAR O SEU
NUMERÁRIO.
ABRAÇOS DO MESMO.
Atenção Senhor Mané da Isaura
No seringal Linha Velha – colocação Fim da Linha!
SUA ESPOSA AVISA-LHE QUE AO CHEGAR À CIDADE, JUNTAMENTE COM SUA FILHA
MARIA, ELA ENCONTROU UM SENHOR MUITO RICO QUE TEIMOU EM QUERER COMPRAR O
PIRIQUITO DELA.
COMO ELE PAGAVA MUITO BEM, ELA VENDEU.
COM O DINHEIRO ELA COMPROU MUITAS ROUPAS E PEÇAS DE BAIXO.
O MEU PIRIQUITO COMO É UM POUCO MAIS VELHO, NINGUÉM QUIS COMPRAR.
ABRAÇOS DE SUA ESPOSA ALZIRA.
Gratidão do abnegado Seringueiro, Ribeirinho e Sertanejo
À Voz das Selvas e aos Correios,
através dos incansáveis funcionários celetistas
na figura dos antigos carteiros
pelos relevantes serviços prestados
ao homem do campo e povos da Amazônia em geral.
(Gilberto A. Saavedra Radialista e jornalista)
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