quinta-feira, 5 de março de 2026

      Um conto acreano (de Gilberto A. Saavedra)

TERMINOU A GUERRA!
TERMINOU A GUERRA!
1945.
O Lloyd Brasileiro navegava tranquilamente, pela costa marítima do Brasil, entre o Maranhão e o Piauí, em sua rota comercial, Manaus - Rio de Janeiro.
Era escoltado por motivo de (segurança) por duas fragatas da Marinha do Brasil, por causa da Segunda Grande Guerra Mundial.
Subitamente, uma buzina marítima de um dos dois navios de guerra da Marinha Brasileira começou a apitar e apitar!
O alto falante de uma das duas fragatas anunciava o fim do conflito mundial aos passageiros do Lloyd Brasileiro:
“A GUERRA TERMINOU, A GUERRA ACABOU!
O JAPÃO SE RENDEU!


VIVA A PAZ MUNDIAL!
VIVA O BRASIL
O cenário era a costa marítima brasileira entre o Maranhão e o Piauí, numa tarde de 2 de Setembro de 1945.
Ali naquele mar do Oceano Atlântico o Lloyd Brasileiro (conhecido como Loide) navegava com seus milhares de passageiros a bordo do navio.
O que se viu foi uma correria geral de passageiros ao convés,
acenando aos marinheiros das duas fragatas, alegremente, gritando: “viva a paz mundial, viva o Brasil!”
Naquela feliz tarde e noite adentro no Lloyd, a festança não teve hora para finalizar.
Naquele tempo de incerteza, muito parecido com o atual, com a guerra da Ucrânia, as pessoas se deslocam por vários motivos.
A bordo do Lloyd um casal de acreano não por nascimento, mas de coração, de amor pela terrinha.
Vinha do longínquo e querido Acre.
O distinto casal era proprietário de imensas áreas de terras no Jordão (hoje uma cidade - município acreano), além das que circundavam em sua volta formando o seringal Duas Nações.
Os (cônjuges; o marido: o Seringalista e Professor, Dr. Levy Cervantes Saavedra, em memória (1900/1977) e esposa Rita Saavedra, em memória, Funcionária da União (1928/2004).
Apanharam uma Chatinha em Tarauacá até Manaus. De lá até o Piauí foi através de um bom navio mercante brasileiro.
Acompanha o casal uma filha - uma criança de três anos Francisca Saavedra (em memória – 1942/2004), que na Idade adulta se formou em Enfermeira Sanitarista, em Manaus, Amazonas.
Essa inesquecível senhora era minha saudosa mãe.
Minha querida mãe, não tinha um bom estudo, mas tinha um coração para todos.
Foi funcionária da União e trabalhou muito tempo na portaria do hospital de Clínicas, em Rio Branco.
Quem é desse tempo no hospital e, mais jovem, deve se lembrar dela.
Na viagem (durante o conflito mundial), ela estava indo a passeio ao Piauí, sua terra natal, Batalha, Município, onde Levy Saavedra, tinha exercido o cargo de Prefeito Municipal.
Estava grávida de seis meses.
Estava esperando uma linda criança, que veio nascer no retorno ao Acre, no início de Dezembro, após guerra.
Essa criança sou eu, Gilberto A. Saavedra.


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