sábado, 30 de maio de 2026

 AS FRIAGENS NO ACRE (Gilberto A. Saavedra)

As friagens. Quem é que não gosta dessa época. Acho que a maioria da população do Estado do Acre, adora e curte esse clima tipo europeu.
Quando eu ainda residia, na capital rio-branquense, eu adorava as friagens.
É época de abrir o guarda-roupa, e apanhar o surrado ou bonito, velho ou novo agasalho. É tempo de frio!
Na cidade toda, tudo muda de aspecto nas vias:
O colorido aparece nos vestuários (conjuntos de peças de roupas) das pessoas nas ruas.
Agasalhos de frios, que nós, acreanos chamamos de ‘Capas’ são os mais variados modelos, inclusive os agasalhos peruanos que são bem quentinhos.

Ainda criança, no meu tempo de escola primária, nos grupos escolares da capital, as professoras organizavam passeios com os seus alunos. As crianças adoravam.
Estação da Experimental - e os seus deliciosos cajus-maçã;
Visita ao antigo Aviário –Galinha de Angola (Capote) era galinha que não acabava mais. Peru, etc.
Visita à Sobra, com aquele apreciável piquenique e o suculento churrasco:
No Mercado Municipal, nesse tempo das friagens, ninguém poderia esquecer de saborear o gostoso minguau de milho:
Mungunzá, mas para nós acreanos, chamamos de ‘Muncunzá’, milho cozido com leite, açúcar, cravo e canela. Aqui no Leste é chamado de canjiquinha.
Nas friagens, temos também as fogueiras, época de São João e São Pedro e os famosos e inesquecíveis arraiais patrocinados pelas igrejas. Famosos bingos e suas galinhas assadas. Chocolate com creme, bolinho de aipim (macaxeira), quentão, saltenha, açaí, tacacá, etc.


Os famosos arraiais da Catedral e da igreja de Santa Inês, no Bosque.
Além das animadas quadrilhas e seus dançarinos. Me recordo de uma comandada pelo Sobral, onde o amigo, Paulo Ferreira Nascimento era o padre, noivo e dançarino. Kkkkk! Tempo bom!
Não podendo esquecer aos domingos, os banhos na famosa praia da Base.
À noite, aos domingos depois da missa na Catedral, em frente ao Palácio do Governo ao lado da Fonte Luminosa, ao som da banda de música da ex-guarda territtorial, a gente se divertia com a retreta.

As moças desfilando, pra cima e pra baixo, sob os pés dos famosos benjamins.
Brincadeira de soltar papagaio (pipa), cortando e entrançando com cerol de vidro e cola na linha, além de gillette (lámina de barbear) na rabiola.




No universo dos pipeiros, entrançar as pipas (ou cruzar/embolar) significa o momento em que a linha de uma pipa se enrosca na linha ou na rabiola da pipa de outra pessoa no ar. Isso acontece durante os "combates" ou quando dois papagaios voam muito próximos.




Tempo bom, inesquecível, que a gente não consegue esquecer.
Ficou gravado em nossa memória para sempre.
Ah, tempo bom, que não volta mais.
(Gilberto A. Saavedra)
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